domingo, 11 de maio de 2014

Quem sou?

O mal do século está em todo mundo achar que conhece tudo de todo mundo. Cadê o esforço contínuo na busca pelas descobertas do outro? E digo mais: você não me conhece, meu vizinho não me conhece, e meus companheiros de sala também não. Muitas pessoas que convivem comigo e se julgam muito próximos, conhecem só essa parte exterior. Minha casca atrai algumas pessoas, porém são poucos que chegam a minha hipoderme sentimental. Sei lá, tenho esse hábito de me esconder internamente e as redes sociais colaboram bastante com esse comportamento 100% sexy, 100% legal, 100% confiável. Mas acontece que não, não dá. Não em uma segunda-feira onde eu já levanto com sono, dor de cabeça e tpm. Não quando meu namorado não entende que eu não quero discutir a relação e, ainda assim, continua falando e falando e falando. Não quando eu faço de tudo para agradar e vem um filho da mãe fazer uma crítica sem fundamento. Às vezes, simplesmente não dá.

Você aí que me vê de longe: talvez nem se encante tanto assim com meu verdadeiro eu. Sou humana, entende? Normalzinha da Silva. Às vezes deixo a raiva tomar conta das minhas atitudes e acabo magoando as pessoas por impulso. Às vezes o azedume some de tal forma e fico tão meiga e fofa que nem me reconheço. Prezo por coisas estáveis e duradouras, mas no auge da minha loucura, abro mão de tudo e vou atrás do que eu quero de verdade. Tenho surtos de instabilidade, temperamento e loucura. Mas e aí, quem não tem?

Tenho o péssimo hábito de me cobrar demais. Nada tá bom, nada tá legal e me transformo constantemente em busca da minha melhor performance. Tenho crise de riso em horas impróprias, sou neurótica e mesmo me achando espontânea, sincera demais e a tal “bateu-levou”, sempre guardo tudo o que me dizem. Tanto faz se são coisas boas ou ruins. E justamente por isso faço uma faxina sentimental a cada ano. É preciso abrir mão dessas pessoas e palavras que em nada acrescentam, entende? Elas, mesmo que sem notar, corrompem as melhores partes de nós.

Sou egocêntrica, teimosa, difícil de lidar e escandalosamente diferente de tudo o que você já viu ou imaginou ver nessa vida. Não a mais bonita, nem mais engraçada, nem mais inteligente, nem nada em exagero de qualquer adjetivo comum. Eu sou tudo e nada ao mesmo tempo, fora do comum. Não espere muito de mim porque eu frustro minhas próprias expectativas. Saio do roteiro pela graça de quebrar a rotina. E mudo o teatro, simplesmente pela arte da improvisação. Esqueça seus conceitos sobre mim e me descubra. Eu sou um mistério que você deveria desvendar.

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