domingo, 25 de maio de 2014
Eu só quis...
Eu quis alguém pra estender uma canga na grama e olhar estrelas, como nos filmes que se criam na minha cabeça. E, como nos filmes, dançar sem música, porque a batida de dois corações bem próximos já é canção. Eu quis alguém pra gastar noites planejando futuro. De cada um. Dos dois. Futuros que talvez nem cheguem, Eu quis alguém pra me me abraçar depois de uma viagem – tão bom voltar para o nosso lugar. Eu quis alguém pra me acompanhar em aniversários de família, porque sempre existe um momento em que a gente não se encaixa. Quis alguém compartilhando esse desajuste comigo. Eu quis alguém que me tocasse, só pra ter certeza de que eu estava ali e não ia embora. Quis surpresas quando abrisse a porta. Prazos para os passos que chegam mais cedo ou mais tarde, mas sem pressa. Quis alguém pra cochichar durante uma sessão de cinema e roçar o nariz no pescoço, enquanto o personagem gritasse na tela. Eu quis alguém bandeira-branca no meio do caos de todas as dúvidas que me mancham. Eu quis, quis mesmo, alguém que não se importasse com distância; que distância não existe quando a necessidade de olho-no-olho é combustível, e a alegria que isso traz preenche qualquer estrada. Eu quis alguém que abrisse exceções pra mim, porque sou eu, poxa. Café na cama, comida na cama, cigarro na cama; só porque sou eu. Eu quis alguém me olhando enquanto ainda durmo, daquela maneira que quando a gente espreguiça as pálpebras e percebe, não sente enjoo, só segurança. Eu quis alguém que escrevesse uma música pra mim, dizendo que sou eu e ponto, sem desfocar o amor por causa de outras possibilidades. Eu quis alguém pra tocar a campainha depois de uma briga e tudo se acalmar só da maçaneta girar. Alguém pra pegar estrada em uma sexta-feira depois de uma semaninha chata e ir parar em qualquer lugar – juro, qualquer lugar com colo. Alguém pra ficar em silêncio, porque às vezes a gente não tem nada pra dizer mesmo e a intimidade de ficar calado, sem a sensação de peso, já conforta. Eu quis aquela cerveja, porque é a minha preferida – mas não quis pedir por ela, eu quis que você se lembrasse e quisesse me fazer feliz quando eu abrisse a geladeira. Quis trançar mãos em um passeio noturno e me sentir flutuando. Eu não quis olhar para os lados, porque não tinha nada lá. Eu quis tudo o que é absolutamente natural. Nada difícil. Eu só quis um amor no eixo.
domingo, 11 de maio de 2014
Quem sou?
O mal do século está em todo mundo achar que conhece tudo de todo mundo. Cadê o esforço contínuo na busca pelas descobertas do outro? E digo mais: você não me conhece, meu vizinho não me conhece, e meus companheiros de sala também não. Muitas pessoas que convivem comigo e se julgam muito próximos, conhecem só essa parte exterior. Minha casca atrai algumas pessoas, porém são poucos que chegam a minha hipoderme sentimental. Sei lá, tenho esse hábito de me esconder internamente e as redes sociais colaboram bastante com esse comportamento 100% sexy, 100% legal, 100% confiável. Mas acontece que não, não dá. Não em uma segunda-feira onde eu já levanto com sono, dor de cabeça e tpm. Não quando meu namorado não entende que eu não quero discutir a relação e, ainda assim, continua falando e falando e falando. Não quando eu faço de tudo para agradar e vem um filho da mãe fazer uma crítica sem fundamento. Às vezes, simplesmente não dá.
Você aí que me vê de longe: talvez nem se encante tanto assim com meu verdadeiro eu. Sou humana, entende? Normalzinha da Silva. Às vezes deixo a raiva tomar conta das minhas atitudes e acabo magoando as pessoas por impulso. Às vezes o azedume some de tal forma e fico tão meiga e fofa que nem me reconheço. Prezo por coisas estáveis e duradouras, mas no auge da minha loucura, abro mão de tudo e vou atrás do que eu quero de verdade. Tenho surtos de instabilidade, temperamento e loucura. Mas e aí, quem não tem?
Tenho o péssimo hábito de me cobrar demais. Nada tá bom, nada tá legal e me transformo constantemente em busca da minha melhor performance. Tenho crise de riso em horas impróprias, sou neurótica e mesmo me achando espontânea, sincera demais e a tal “bateu-levou”, sempre guardo tudo o que me dizem. Tanto faz se são coisas boas ou ruins. E justamente por isso faço uma faxina sentimental a cada ano. É preciso abrir mão dessas pessoas e palavras que em nada acrescentam, entende? Elas, mesmo que sem notar, corrompem as melhores partes de nós.
Sou egocêntrica, teimosa, difícil de lidar e escandalosamente diferente de tudo o que você já viu ou imaginou ver nessa vida. Não a mais bonita, nem mais engraçada, nem mais inteligente, nem nada em exagero de qualquer adjetivo comum. Eu sou tudo e nada ao mesmo tempo, fora do comum. Não espere muito de mim porque eu frustro minhas próprias expectativas. Saio do roteiro pela graça de quebrar a rotina. E mudo o teatro, simplesmente pela arte da improvisação. Esqueça seus conceitos sobre mim e me descubra. Eu sou um mistério que você deveria desvendar.
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