Dessa vez eu tô assim: anestesiada. E essa é exatamente a
palavra, anestesiada. Não sei explicar. Simplesmente não sinto. Nada. Pra não falar
que não, às vezes me sobe um sufoco a garganta que eu não sei explicar. Deve ser
quando eu lembro que não vou tê-lo novamente próximo a mim, olhar as historias
e ficar só olhando e o jeito que ele se mexe ao conta-las com tanto entusiasmo
e depois olhar pra mim como se esperasse alguma reação. Mas eu nunca tinha
nenhuma. Ficava boba e apaixonada, sem reação. Tava admirando. Sem falar que
ele tinha o poder de me apaixonar toda vez que ele me olhava e eu podia ficar
ali, olhando pra ele o dia todo e me apaixonando cada vez mais, mas sempre com
a nossa bagunça, que as vezes chamávamos de relacionamento, nunca tivemos
oportunidade.
Se a gente for parar para analisar, a saudade seria
normal para qualquer um. É normal que se sinta falta de alguém que ‘esteve ali’
com você por... Um ano? A gente pode colocar assim?!
Anestesiada... Digo isso porque ainda não senti. Nada. Talvez
venha depois, sei lá. Só sei que não veio. Dessa vez to preferindo não ouvir
sobre. To me guardando. Cuidando-me. Não permitindo que eu mesma me machuque
dessa vez. Quando algo me faz lembrar, ate chego a ficar saudosa, mas não me
faz ter vontade de querer novamente, não me traz aquele desejo que eu tinha. Fico
saudosa, sim, só que dessa vez de uma forma que me faz sentir que foi bom. Foi bom,
entende? Dessa vez o verbo esta no tempo que é pra estar, num pretérito perfeito.
Ele esta no tempo onde a ação foi iniciada e concluída, não há mais o que se
acrescentar.
Eu espero que quando essa anestesia passar a dor já não esteja
mais tão evidente. E que não passe por mim como um furacão que tudo destrói,
mas que seja como uma brisa suave e que me afague a pele.
E que um dia eu possa amar novamente e que possa ter uma retribuição
com a mesma intensidade.

